À medida que os anos vão passando, vamos adquirindo experiências de vida que nos fazem alterar a forma de olhar a vida. Isto é uma das verdades universais da humanidade. E é também sobre esta base de vivência que também vamos sendo bombardeados com frases (des)motivacionais que nos fazem colocar em questão as vicissitudes da vida. Frases do calibre “Eish, quando chegares aos 40 é que vais ver como elas mordem” ou mesmo “Aos 40 é que as maleitas vão surgir em catadupa, vais ver!”, possuem a capacidade de nos tornar em verdadeiros seres resignados ao avançar da idade.
Mas eu não…
Eu descobri que, com a entrada nos “entas”, mudei, é verdade, mas não da forma como esperava, tendo em conta o autêntico bombardeamento de frases demolidoras capazes de me fazer entrar precocemente na antro-pausa que foram surgindo à medida que me aproximava das 40 primaveras. Ao invés de surgirem maleitas, queixar-me das cruzes ou transformar-me num idoso, acabei por metamorfosear-me num…
…coninhas.
Dei por mim a ficar lamechas. Mas um lamechas de nível cinco, mesmo. Daquele tipo de coninhas que se emociona com tudo e mais alguma coisa. Recentemente realizou-se a festa de final de ano da minha filha. Apesar de ela não ser finalista — porque ainda só tem 8 anos e frequenta o 2º ano — dei por mim a observar os miúdos que iam largar aquela escola e embarcar numa nova viagem, uma nova escola e toda uma nova realidade, com os olhos marejados e a torcer por eles como se de meus filhos se tratassem. Naquele momento, eu estava a sofrer por todos eles, sem excepção. E dei por mim a pensar que, daqui a 2 anos, quando a minha filha for finalista, o melhor será eu não estar presente, porque provavelmente irão pensar que alguém me bateu ou algo do género.
Outro exemplo do quão coninhas me estou a tornar desde que atingi os quarenta anos idade, é o facto de me emocionar com o sucesso de outras pessoas. Se vejo alguém a vingar em algo que adora fazer com tanta paixão, fico emocionado e com vontade de o abraçar — o que poderia resultar em muitos mal-entendidos e possíveis agressões à minha integridade física. Se vejo programas de talentos, dou por mim a emocionar-me. Se vejo algum documentário na Netflix sobre a história de vida de um artista, emociono-me. Se vejo um dos meus gatos a matar e comer uma mosca, emociono-me — calma, estou a brincar. Neste caso normalmente solto um “BOA!” e apresso-me a guardar o mata-moscas.
Uns tornam-se mais frios. Outros tornam-se mais fortes. Outros continuam igual. E eu…
…eu aos 40 anos de idade tornei-me num coninhas.
É lidar com isso, porque daqui para a frente será, efectivamente, sempre a descer…







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