Existem certas alturas da vida em que o mundo parece querer testar-nos ao máximo. Até que cheguemos ao limite das nossas forças, ele testa-nos, pressiona-nos e leva-nos até à exaustão da sanidade mental. Quando menos esperamos, somos atraídos para uma espécie de acontecimentos negativos em catadupa, sem que tenhamos desejado ou até permitido. Quando nos apercebemos, já estamos no epicentro de uma miríade de negativismo puro que nos obriga a tentar encontrar forças onde nunca sabemos onde encontrar. Há quem afirme que a vida é mesmo assim e que não há muito a fazer. Esse tipo de pessoa, a meu ver, não está a viver. Não sente, não se interroga e não tenta encontrar alternativas à forma como é brindada pelas inúmeras vicissitudes que a vida tem para lhe oferecer.
Existe uma espécie de aura, nuvem negra ou como quiserem chamar, que nos leva a questionar tudo o que se passa à nossa volta. Como se de uma espécie de centro de controlo se tratasse, é sempre inevitável a transparência de que alguém estará a comandar a nossa vida, a nossa estadia neste mundo. Porque tal como o velho ditado “um mal nunca bem só”, é-nos facultado a ideia de que é mesmo assim que funcionam as coisas. Um mal nunca vem só e, inúmeras vezes, vem bem acompanhado de outras maleitas. É como se, sempre que nos tentamos e estamos quase a levantar-nos de uma má experiência, eis que surge imediatamente outra para nos voltar a levar para baixo, para o fundo do poço sem fundo.
Há quem acredite que é Deus que comanda a nossa vida (como se essa Entidade, a existir, não tivesse mais nada para fazer no mundo), ou outro ser omnipresente que está sempre em todo o lado a toda a hora, a carregar nos botões do painel de controlo da nossa vida. Se assim o é, que raio de ser poderá ser esse que não nos permite respirar entre maleitas. Assim que voltamos à tona, eis que estamos novamente a nadar em direcção ao fundo do oceano, sem uma botija de oxigénio anexada às costas. E lutamos, esbracejamos, esperneamos e lá acabamos por regressar à calmaria, ao denominado “normal” da nossa vida, para lá ficarmos mais um pequeno período da nossa existência até regressarmos à loucura da insanidade mental que é viver.
Os últimos tempos têm sido complicados. Entre doenças e habitações de familiares próximos em condições menos próprias para habitação, derivado às fortes chuvadas e respectivas infiltrações, o mundo tem sido macabro e doentio ao ponto de levar-me a pensar constantemente no fim — no fim das doenças, das infiltrações e, ocasionalmente, da vida. Nesta vida temos de ser fortes o suficiente para conseguir ir ao fundo e regressar à tona vezes sem conta, mas chega a uma altura em que o desalento e o cansaço ganha força e toma conta de nós, deixando-nos completamente apáticos e sem vontade de nos voltarmos a reerguer.
Enquanto existirem forças, seguimos o nosso caminho.
Enquanto existir motivação, arregaçamos as mangas e vamos à luta, à guerra.
Mas um dia, um certo dia, as forças cessarão e a motivação desaparecerá. E nesse dia, tudo deixará de fazer sentido.
É esperar que esse dia esteja ainda muito longe…







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