O ser humano não tem conhecimento de quão frágil pode ser, até ser confrontado com certas e determinadas situações na vida. Todos os dias somos colocados à prova e, normalmente, é sempre quando menos esperamos — se não fosse assim, saberíamos certamente como reagir de forma premeditada a essas situações e, muito provavelmente, a vida seria um todo nada mais aborrecida do que aquilo que já o é.
Percebo perfeitamente que todos nós que cá andamos, queremos — e precisamos! — de ganhar a vida todos os dias. Precisamos de dinheiro para colocarmos comer na mesa, ou mesmo para comprar aquele iPhone novo que acabou de sair para o mercado. Mas — e há sempre um pelintra de um “mas” —, não vale tudo nesta vida. Especialmente, quando se lida com os sentimentos das pessoas em geral. Há que haver limites para o “ganha-pão” de cada um.
Ora, não se pode simplesmente colocar um papel no pára-brisas de um carro com a mensagem “Compro todo o tipo de carros”, sem se saber se se está a magoar o proprietário desse mesmo carro com essa mensagem. Ou seja, habitualmente, as pessoas que colocam esses papéis têm como intuito adquirir viaturas já com uma certa idade, desvalorizando e minimizando os ditos carros. Para eles, aquelas viaturas são apenas bens materiais que servem como um meio para fazer dinheiro. Mas para os proprietários, esses carros podem possuir uma alma, uma história com vários anos que deve ser respeitada. Sim, esses carros são velhos, idosos até, mas os seus proprietários têm-lhe uma estima imensurável que leva a uma ligação de ternura e até espiritual. E atirar-lhe com um papel para cima com o pretexto da aquisição do mesmo como se de um pedaço de ferro-velho apenas se tratasse, é sinal de uma falta de noção e de respeito por sentimentos incompreensíveis a todo e qualquer ser humano em geral.
Aquela viatura pode ter uma história bastante rica. Pode ter sido companheira de vida do seu proprietário e da sua família, pode ter sido o meio de transporte que levou uma família inteira de férias ano após ano, registando momentos e episódios felizes. E pode mesmo ter sido o local onde filhos foram feitos e onde bebés nasceram. E atirar-se com um papel para o pára-brisas sem qualquer tipo de pudor é uma grave falta de respeito para com a mesma.
No entanto, também pode ser simplesmente a oportunidade única de se vender um carro a um bom preço para, assim, adquirir outro melhor.
É algo que fica ao critério de cada proprietário, desde que exista respeito pela viatura, obviamente.







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