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ONDE ANDAS, PARA ONDE VAIS, O QUE ESTÁS A FAZER?

O mundo é feito de modas. E, como tal, as modas vêm e vão — e há algumas modas que insistem em regressar depois de terem o seu tempo expirado. Mas, modas são modas e há umas que são aborrecidamente absurdas e outras que até surgem para animar um mundo que parece cada vez mais envolto em tristezas, desgraças e guerras insanas em busca de poder. Será a denominada evolução ou apenas um acentuado e escusado desvio na linha da evolução humana. Será, muito provavelmente, uma pergunta que levará o seu tempo a encontrar a resposta certa. E talvez já será tarde demais quando essa resposta surgir. 

Com o avanço da tecnologia, novas modas vão surgindo todos os dias. E uma das modas que mais me chamaram recentemente à atenção, deve-se com as vídeo-chamadas. Algo que é bastante usual nos dias de hoje, mas que, talvez pela minha mentalidade de dinossauro, fazem-me alguma comichão no cérebro. Chamadas em si já é algo que me aborrece particularmente. Honestamente, as mensagens de texto ou sms — como se se preferir chamar — são, para mim, uma das melhores invenções de sempre. Uma pessoa tem algo para dizer, escreve umas frases, envia e fica tudo despachado. Sem sons, sem vozes, sem ruído de fundo. Básico e maravilhoso. Mas, depois, eis que o ser humano, sedento de contacto e proximidade, lembrou-se de algo ainda mais chato do que as simples chamadas telefónicas e avançou destemido para as chamadas com imagem em tempo real.

O anteriormente “onde estás?”, passou automaticamente para “faz-me uma vídeo-chamada para confirmar se essa história é verídica”. A desconfiança faz agora parte das relações em forma de “apertar o cerco”. Não basta agora responder um simples “estou a caminho” ou “vim só comprar um maço de cigarros”. Agora é necessário comprovar essa história com uma vídeo-chamada ou muito provavelmente a pessoa visada deverá estar a mentir descaradamente. As pessoas hoje em dia não fazem simples chamadas telefónicas — expiam descaradamente a vida de outras pessoas através das vídeo-chamadas. 

Seja nos cafés, nas escolas, nos trabalhos ou até nos carros a caminho do trabalho, as pessoas não se limitam a fazer uma simples chamada — querem ver em tempo real a vida da pessoa. Se é verdade que está a trabalhar, se está, de facto, a caminho do trabalho ou se está na pausa para fumar um cigarro. Cada  vez mais aproximamo-nos de uma espécie de Big Brother da vida real, ao invés de termos os nossos pequenos e inofensivos segredos e estados solitários de reflexão que muita falta faz a todos os seres humanos — parar para pensar, para refletir, ao invés de continuar a agir por impulso numa vida levada sempre a correr de um lado para o outro. 

Deus, esse Ser Mega Poderoso, deverá estar a sentir-se, nestes tempos de loucura tecnológica, um ser muuuuito pequenino…

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