Um dos mistérios mais bem guardados e ainda por decifrar nesta vida é o facto de as mulheres possuírem uma capacidade quase sobrenatural de saberem o que fazer nesta vida. Mas de uma forma paradoxal, elas parecem sempre saber como controlar o destino das suas caras-metades, acabando depois por se desleixarem no seu próprio destino. Depois de muitos anos a lidar com mulheres, acabo por ter de dar o braço a torcer e aceitar que elas é que sabem tomar conta dos homens e não o contrário. Elas possuem o super poder de saber sempre o que o homem precisa no momento, mesmo que o mesmo não faça a mais pequena ideia de que, efetivamente, era mesmo aquilo que faltava na sua vida.
Tenho de reconhecer que a minha mulher é que sabe cá andar nesta vida. E, por conseguinte, tem igualmente uma capacidade de encaixe e paciência daquelas que já não se encontra em lado nenhum — nem se vende nas farmácias, como alguns gostam de pregar aos céus em situações de mais aperto. Eu sou o exemplo perfeito de uma pessoa super pessimista e sempre em constante negação. Tenho sempre receio de arriscar e de dar o passo seguinte em relação ao que a bens materiais diz respeito. Por exemplo, quando a minha cara-metade quis adquirir um aspirador Rainbow, eu entrei em colapso nervoso. Primeiro o preço, que não é nada meiguinho, e depois a necessidade de adquirir um aspirador tão caro que serve apenas para, lá está: aspirar e limpar o pó. Critiquei, coloquei a minha pose mais afincada de pessimista e negativista e contra-argumentei sem dó nem piedade. Resultado: ela fez ouvidos moucos — e bem! — e avançou para a compra. Resultado: não passo sem a Rainbow e nem sei ser feliz sem ela na minha vida.
A mesma coisa aconteceu com a Bimby. Que ideia horrível. Nunca irás usar aquilo de forma a justificar o seu valor. Aquilo não irá servir para nada para além de fazeres sopas para a miúda. Hoje em dia… dou graças aos deuses a existência da Bimby na minha vida — aliás, dou graças à minha cara-metade por não escutar o pessimista cá de casa. Quando chegou a altura de comprar uma máquina de café nova, rapidamente se instalou a ideia de adquirir uma De’Longhi. E claro que a reacção de insatisfação foi instantânea: és louca, comprar uma máquina de café tão cara só porque tem a capacidade de moer o grão, quando há outras opções no mercado muito mais baratas e mais higiénicas, que é só colocar uma cápsula e voilá: sai o café. E, hoje em dia, o que seria de mim sem o cafezinho maravilhoso que a minha De’Longhi faz — seria, com toda a certeza uma pessoa tão mais infeliz.
Mas a saga não fica por aqui. O mundo quase ruiu quando ela chegou-se à frente com a ideia de adquirirmos uma máquina de secar roupa porque a zona onde vivemos é tão húmida que secar roupa na corda é uma autêntica aventura desleal contra a Mãe Natureza. Claro que, como não poderia deixar de ser, eu encarnei imediatamente no Shrek, num ser resmungão e, digamos, trol e desatei a criticar aquela ideia completamente descabida e sem noção. O preço da máquina. A factura da electricidade que iria aumentar nos meses de mais frio. Tudo factores contra. E, obviamente, ela descartou na hora todos os meus argumentos e avançou para a aquisição da dita máquina. Resultado:
Eu amo a nossa máquina de secar roupa.
Está para chegar o dia em que aceitarei que as mulheres sabem, de facto, o que cá andamos todos a fazer e a melhor forma de o fazer. Na verdade, penso que já o aceitei, tendo em conta o texto que acabei de escrever — tenho a sensação que foi ela a colocar-me a ideia que escrever sobre este tema iria ser muito nobre da minha parte.
Bolas, elas sabem tudo…







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