Desde que me lembro de ser pessoa que tenho plena consciência de que não sou um dos melhores seres humanos do mundo. Também sei que não estou na lista dos piores, mas gostaria de ser uma melhor pessoa. E quando afirmo que quero ser uma melhor pessoa, não me refiro a ser mais benevolente para com aqueles que me fazem ou querem mal na vida — algo que irá sempre existir, visto que o mundo está repleto de seres humanos muito piores que eu — mas sim, à falta de capacidade que tenho em demonstrar os meus sentimentos mais puros e genuínos que nutro por pessoas de quem eu gosto ou que vou aprendendo a gostar ao longo da vida.
Tenho uma lacuna grave na minha personalidade que me acompanha desde sempre: sou péssimo a expressar sentimentos. Não sei como os fazer de forma a que pareçam, de facto, sinceros. Tento esforçar-me ao máximo, mas sempre que tento demonstrar carinho ou afecto por aqueles que gostam de mim, tudo acaba por ganhar uma falsidade estranha que me obriga imediatamente a desistir, deixando-me com um nó na garganta que me vai despedaçando em milhões de pedaços.
As pessoas acham-me arrogante, mas na verdade eu não sei apenas como demonstrar aquilo que sinto por elas. Porque, ao fazê-lo, sinto-me destapado, vulnerável, como se tivesse simplesmente baixado a guarda ou deitado abaixo o altíssimo muro que fui construindo ao longo da minha vida, derivado das amarguras e experiências menos boas pelas quais passei. Trata-se de um paradoxo interior que me persegue há anos demais; por um lado, adoro as pessoas e quero demonstrar com acções que lhes dou o maior valor do mundo, por outro lado, não sei como o fazer sem aquele tom de falsidade e desconforto que me assombram naquele preciso momento.
Aos 41 anos de idade e pai de uma menina de 8 anos, lamentavelmente, ainda não sei como desligar o sentimento de estar sempre a ser constantemente julgado por tudo e todos. Sinto uma necessidade permanente de demostrar aquilo que sinto e penso das pessoas de quem eu deixei entrar na minha vida e fazer parte de mim, mas simplesmente não sei como o fazer sem soar a uma obrigação ao invés de uma necessidade quase visceral.
Esta forma de pensar e de actuar leva-me a facultar uma imagem de pessoa ausente, de mau filho, mau marido e, pior que tudo, de um mau pai. Mas, na verdade, à flôr da pele, eu sou uma pessoa bastante sentimental que se emociona facilmente e tem fraquezas emocionais de forma constante. Lido com a esperança de um dia conseguir lidar com esta minha forma de ser/viver. Poderá é já ser tarde demais…







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