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VAI-TE LIXAR, CHARLES DARWIN!

Possuo poucas certezas na vida, mas uma delas é que, efectivamente, o mundo parou de evoluir até ao ponto ridículo de começar a regredir. Por mais incrível que possa parecer, a verdade é que Charles Darwin estava completamente equivocado — a humanidade não vai evoluindo, mas sim regredindo. Aparentemente, fomos evoluindo na tecnologia e na ciência — que não hajam dúvidas desse facto —, mas como seres humanos estamos a regressar aos tempos das cavernas. Provavelmente, o ponto de viragem terá sido quando surgiu a COVID-19 que nos obrigou a todos a uma inclusão social até então completamente desconhecida por todos. Muitos seres com um QI acima da média, vieram para a praça pública apregoar que todos iríamos sair muito melhores seres humanos depois da COVID – 19, mas a verdade é que se constata, cada vez mais, que foi totalmente o oposto. Estamos a tornar-nos todos umas valentes bestas. Estamos a um passo de voltarmos a habitar em cavernas e a andar com uma moca a aplicar pancada a tudo o que respire e que se mexa.

Hoje, ao levar a minha filha à escola, assisti a um dos exemplos inegáveis de que  a humanidade está a regredir a olhos vistos. No momento em que uma mãe entregava o seu filho na escola, eis que passa uma jovem que estava a passear dois cães com trela. Um dos cães, na sua invejável ingenuidade canídea, decidiu ir cheirar a perna da senhora que deixava o seu filho na escola e o caos instalou-se de imediato. Não que o cão tenha feito algo de mal, ou que tenha mordido ou urinado em cima da pessoa, mas simplesmente porque decidiu ir cheirar a perna da senhora. Algo simples, sem qualquer tipo de perigo e sem maldade nenhuma. O cão estava apenas a ter uma atitude de cão: cheirar algo. Mas a reacção da senhora foi imediatamente escandalosa, reagindo aos gritos como se tivesse a ser alvo de uma agressão ou mesmo de um roubo por esticão.

“Ai! Meu deus! Tirem-me isto daqui! Ai, meu deus!”

A rapariga que passeava os canídeos prontificou-se a pedir desculpa — na minha opinião, por algo simplesmente absurdo e sem maldade nenhuma —, mas a senhora reagiu igual a uma hiena faminta por confronto.

“Qual desculpa, qual quê?! Trazem estas merdas para aqui! Uma pessoa não pode estar tranquila!”

A rapariga não quis — e bem! — alimentar mais aquela situação e voltou a pedir desculpa e seguiu a sua vida, deixando a senhora que foi incomodada por um snifar canídeo, a falar sozinha e a reclamar, olhando para outros pais em busca de uma suposta compreensão que não foi correspondida por nenhuma das pessoas que ali estavam.

No final deste texto quero apenas realçar a forma como a senhora se referiu a um simples animal que não fez nada de mal:

“Trazem para aqui estas merdas!”

Para mim, isto é o exemplo da regressão que a humanidade está a atravessar neste momento. Completa falta de noção das atitudes e das palavras e, pior ainda que isso, o facto de armar uma altercação absurda — com palavras menos apropriadas — em frente a uma escola onde dezenas de alunos de 8/9 assistiam.

Pergunto: ainda falta muito para se iniciar o processo de colonização da Lua?…

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