Burgau ficou conhecida agora, para muitos, como a “Santorini portuguesa”, por ter sido comparada à ilha com o mesmo nome, na Grécia. Para mim, Burgau é sinónimo de regresso a casa. Não tivesse eu morado nesta aldeia com os meus pais desde que nasci, até aos 10, 11 anos de idade.
Para mim, Burgau é sinónimo de regresso a casa.
As ruas, ruelas e cantos escondidos desta lindíssima aldeia sei eu de cor, das vezes que as percorri a jogar à apanhada, escondidas e outros jogos na rua com os meus amigos. As crianças de hoje em dia nada saberão deste tipo de jogos porque não há nas consolas de jogos nem nos telemóveis… Enfim, não havia nada – a não ser a falta de forças que, em criança, tarda a chegar – que nos fizesse parar de correr por todo o lado. Por falar nisso, o telhado (em forma de terraço) e as traseiras dos wc públicos já não são um bom “spot” para a malta se esconder: falta-lhe a manutenção devida. Junta de Freguesia e Câmara Municipal, vejam lá isso!
Bem sei que já não é exatamente a mesma aldeia. O “clube” (como todos apelidavam o Grupo Desportivo de Burgau, coletividade que reunia todos, em especial os mais idosos) já não existe como tal, agora é o restaurante do Tiago. A antiga casa da minha tia-avó (entretanto falecida), deu lugar a um bar, a antiga casa dos meus avós paternos (que há muito nos deixaram) é agora uma casa moderna, toda envidraçada, com janelas enormes, de fazer inveja a certas montras. Há um novo bar onde era a lavandaria de um empreendimento turístico onde a minha mãe trabalhou muitos anos. Há saída da aldeia (a caminho da Luz e de Lagos) num enorme terreno que era aproveitado por todos como horta comunitária, nasceram agora vivendas (diversificação de culturas, diria eu). A escola primária onde frequentei os primeiros 4 anos do ensino obrigatório, é agora um jardim escola. Ou cresce. Ou ambos, não entendi bem. Mas são apenas alguns exemplos.
É perfeitamente normal que a aldeia tenha evoluído economicamente para o lado do turismo e dos serviços, pois a pesca tem cada vez menos adeptos. É normal também que as casas que eram dos meus conhecidos “velhotes” possam ser ocupadas por outras atividades. Infelizmente não há pessoas imortais – eu pensava que a rainha britânica era imortal e já lá foi – e a vida tem de seguir. Mas o meu Burgau, comparado com uma ilha grega ou com outro qualquer ponto do mundo, será sempre o meu Burgau, a aldeia onde passei a minha infância. E que infância!
É favor ler esta última frase enquanto se imagina a tocar no fundo o refrão da música Tempo Volta Para Trás do Tony de Matos.





































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